Esquizofrenia: conscientização busca combater estigmas e ampliar acesso ao tratamento
Esquizofrenia: conscientização busca combater estigmas e ampliar acesso ao tratamento
Data nacional reforça que pessoas com
o transtorno podem conviver em sociedade, trabalhar e ter qualidade de vida com
acompanhamento adequado
Enfermidade causa hiperestimulação da atividade dos neurônios, levando a uma atividade cerebral aumentada. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF
Estudos recentes apontam que cerca de meio milhão de
brasileiros adultos vivem com esquizofrenia, uma doença mental que influencia a
forma como uma pessoa pensa, sente e interpreta a realidade. Instituído pela
Lei 14.860, o Dia Nacional de Conscientização sobre Esquizofrenia, comemorado
nesta semana (24), chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce,
do tratamento contínuo e, principalmente, para a quebra de preconceitos
relacionados à doença.
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica crônica que
requer cuidado ao longo de toda a vida. É uma enfermidade que causa a
hiperestimulação da atividade dos neurônios, levando a uma atividade cerebral
aumentada. “Durante os episódios de crise, a pessoa com esquizofrenia vive sob
ameaça persistente. Seja por meio da errônea interpretação da realidade, seja
pela experiência de alucinações auditivas que comentam ou que ameaçam o
paciente”, explica o médico, que é Referência Técnica Distrital em Psiquiatra
da Secretaria de Saúde (SES-DF), Thiago Blanco.
Apesar do imaginário popular frequentemente associar a
doença à imprevisibilidade e risco de violência, o especialista reforça que
esse estigma não corresponde à realidade da maioria dos casos. “Pessoas com
esquizofrenia tendem a ser mais retraídas, fechadas em si mesmas e
introspectivas. Elas experimentam uma sensação de angústia persistente
relacionada a maior parte das vezes a uma crença conspiratória inabalável que
provoca uma sensação permanente de ameaça”, esclarece.
Diagnóstico e desafios
O diagnóstico é realizado com base nos critérios
clínicos, a partir da observação, do diálogo e do vínculo. Eventualmente,
exames podem ser úteis para descartar outras causas de alucinações e delírios.
Um dos principais desafios do tratamento, porém, é a dificuldade do próprio
paciente em reconhecer os sintomas.
“Pela doença por si só, a pessoa não consegue perceber a
irrealidade das suas crenças e acaba não se enxergando como doente. Isso
dificulta a adesão ao tratamento, mas esse desafio é enfrentado junto com a
família e os profissionais de saúde das equipes multidisciplinares, ajudando o
paciente a entender que o tratamento pode ajudá-lo a ter uma vida com autonomia
e funcional”, destaca Blanco.
O tratamento envolve medicamentos antipsicóticos,
programas de treino de habilidades cognitivas e sociais, reforço da rede de
apoio familiar e comunitária, psicoterapia e educação em saúde. Na rede pública
de saúde, as equipes multiprofissionais, tanto das Unidades Básicas de Saúde
(UBS) e dos Centros de Atenção Psicossociais (Caps), atuam em conjunto para
atender o paciente com integralidade.
Participam do cuidado os psicólogos, para ajudar no
convívio e na adesão do tratamento; os profissionais do serviço social, para
auxiliar na garantia dos direitos; os nutricionistas, para garantir a
alimentação adequada e os enfermeiros, para o cuidado no dia a dia e
monitoramento. “É um cuidado em rede”, enfatizou.
“Uma pessoa com esquizofrenia não é um usuário permanente
e persistente do Caps. O Caps é para quando quem está em crise, que precisa de
um apoio mais frequente e intensivo. É muito possível e desejável, que após
cessados os episódios de crise, a pessoa possa continuar o tratamento na UBS”,
esclarece.
Quebra do estigma
Na data criada para conscientização da doença, Blanco
também destacou que portadores da enfermidade são totalmente aptos a conviverem
em sociedade. “Uma pessoa com esquizofrenia deve conviver com outras pessoas,
trabalhar, ter uma vida inserida socialmente, claro que com os desafios
próprios de uma pessoa com doenças crônicas”, reforçou.
Para isso, a quebra do preconceito é fundamental.
“Diminuir este estigma e esse preconceito é fundamental para gerar uma mudança
na imagem da experiência da doença, na imagem que temos da experiência dessa
doença”, concluiu.
Fonte: Secretaria de Saúde do
Distrito Federal - Assessoria de Comunicação







.png)
Nenhum comentário
Postar um comentário