Setor atacadista do DF enfrenta escassez de mão de obra
Setor atacadista do DF enfrenta escassez de mão de obra
Dificuldade para contratação
levou Sindiatacadista-DF e GDF a discutirem ações para fortalecer o setor
Em meio às discussões importantes sobre mudanças
nas jornadas e escalas de trabalho no País, outra discussão também movimenta o
setor, a dificuldade para preencher vagas de emprego no setor atacadista do
Distrito Federal. Atualmente, cerca de 300 postos seguem abertos, sem
candidatos suficientes para atender à demanda das empresas. O cenário motivou
uma reunião entre o presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor Gomes Neto, e o
secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do DF, Thales Mendes
Ferreira, para discutir medidas voltadas à geração de empregos.
Durante o encontro, lideranças empresariais e
representantes do setor discutiram pautas estratégicas para o fortalecimento do
segmento atacadista no Distrito Federal. Entre os temas centrais estiveram
iniciativas voltadas à geração de empregos e à qualificação da mão de obra,
além de propostas de aprimoramento do programa Emprega DF para ampliar sua
efetividade junto às empresas.
Também foram debatidas medidas para estimular o
comércio eletrônico, com destaque para a possibilidade de criação de um regime
especial destinado ao e-commerce, bem como a necessidade de modernização e
adequação das áreas de desenvolvimento econômico que atendem o setor
atacadista.
Na visão do presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor
Gomes Neto, os principais fatores que explicam a falta de mão de obra no setor
atacadista vem de uma forte preferência dos jovens por atividades ligadas ao
universo digital, em detrimento de funções mais intensivas em esforço físico.
“Com isso, cargos como capatazia, operação de empilhadeira e montagem de carga
são justamente os mais afetados pela escassez de candidatos”, destaca Alaor.
“A esse cenário soma-se a questão dos benefícios
sociais, que, da forma como estão estruturados hoje, acabam por dificultar
ainda mais a entrada dessa nova geração no mercado de trabalho formal”,
ressalta o presidente, pontuando que as vagas mais difíceis de preencher são as
que demandam maior esforço físico, sobretudo as funções de carga e descarga,
que concentram hoje a maior parte da carência de profissionais no setor.
A escassez de trabalhadores tem impacto direto e
significativo na operação, na produtividade e no crescimento dos
estabelecimentos atacadistas. “Essas empresas são, em essência, grandes
operadores logísticos, e o crescimento do setor se dá pelo incremento das
vendas e, por consequência, pelo aumento da movimentação de cargas. Dessa
forma, a escassez de mão de obra compromete diretamente a capacidade de
expansão dos associados ao sindicato”, explica Neto.
O Sindicato avalia que salários, benefícios e
condições de trabalho influenciam diretamente nessa dificuldade de contratação.
“Esses pontos Influenciam de maneira decisiva. Prova disso é que a maioria dos
nossos associados já pratica remuneração acima do piso previsto na Convenção
Coletiva de Trabalho (CCT), justamente como estratégia para atrair e reter
colaboradores em um mercado cada vez mais competitivo”, comenta a instituição.
A entidade informou que já articula iniciativas em
parceria com a Secretaria de Trabalho do Distrito Federal para ampliar o
recrutamento e a qualificação de profissionais para o setor atacadista. Segundo
a entidade, a pasta deverá disponibilizar sua base de currículos para auxiliar
no preenchimento de vagas das empresas associadas, além de divulgar as
oportunidades no site oficial da Secretaria.
“A Secretaria também disponibilizará sua estrutura
física, incluindo a Carreta do Trabalhador, para que os associados possam
realizar processos seletivos nesses espaços”, destacou o presidente do
Sindicato. A entidade também ressaltou que, entre os dias 13 e 16 de junho de
2026, os associados participarão de um feirão de empregos promovido pelo
governo local, com estandes voltados ao recrutamento de trabalhadores.
Na avaliação do Sindicato, o setor atacadista
precisará investir cada vez mais em modernização e automação logística para
reduzir a dependência de atividades estritamente físicas e tornar as funções
mais atrativas para as novas gerações. “Paralelamente, será fundamental ampliar
os programas de qualificação e estruturar planos de carreira que ofereçam
perspectivas concretas de crescimento dentro das empresas”, afirmou a entidade.
A instituição também defende a valorização do
ambiente de trabalho, com melhores condições, maior previsibilidade de jornada
e benefícios mais alinhados ao perfil atual dos trabalhadores como estratégia
para retenção de talentos. O sindicato avalia ainda que o poder público pode
desempenhar papel decisivo na redução da falta de mão de obra no setor,
especialmente por meio de programas de capacitação profissional alinhados às
demandas reais das empresas.
“A integração entre as bases de currículos
governamentais e as vagas das empresas é um exemplo de medida de baixo custo e
alto impacto”, afirmou Alaor. Segundo o sindicato, a Secretaria de Trabalho do
DF também estuda abrir novas turmas de cursos profissionalizantes em parceria
com Senai e Senac, conforme sugestões apresentadas pelos associados. Para a
entidade, a revisão de benefícios sociais, de forma a estimular o ingresso no
emprego formal, aliada ao incentivo à qualificação técnica voltada à logística,
também ajudaria a reduzir a carência de trabalhadores no atacado.
A reunião foi avaliada como positiva pelo
Sindiatacadista-DF, principalmente em razão da abertura demonstrada pelo
secretário ao diálogo com as demandas apresentadas pelo setor produtivo.
Segundo a entidade, o encontro reforça a importância da construção conjunta de
políticas públicas que estimulem o crescimento econômico, a geração de empregos
e a competitividade das empresas do Distrito Federal.
A reunião definiu a criação de um “balcão de
empregos” voltado ao setor atacadista, em parceria entre a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda e o Sindiatacadista-DF. A
iniciativa pretende conectar empresas e trabalhadores por meio de uma
plataforma de vagas e currículos alinhada às demandas do segmento. A
expectativa é agilizar contratações, ampliar oportunidades de emprego e
fortalecer a mão de obra especializada no Distrito Federal.
Fonte: Débora Oliveira/Jornal de Brasília , Fotos: Débora Oliveira







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