Mercado de canetas emagrecedoras deve movimentar US$ 9 bilhões no Brasil até 2030, aponta consultoria PwC
Mercado de canetas emagrecedoras deve movimentar US$ 9 bilhões no Brasil até 2030, aponta consultoria PwC
Popularização dos medicamentos para perda de peso deve transformar hábitos de consumo, impulsionar novos negócios e provocar mudanças em diversos setores da economia
Quebra da patente do Ozempic deve reduzir o preço do medicamento. (Foto: Reprodução).
O mercado
de canetas emagrecedoras no Brasil deve registrar um crescimento acelerado nos
próximos anos e movimentar cerca de US$ 9 bilhões até 2030, segundo projeções
da consultoria PwC. Atualmente estimado em US$ 2 bilhões, o segmento deve
avançar a uma taxa média anual de 35%, superando o ritmo de expansão observado
globalmente.
De acordo
com o estudo, fatores como a elevada incidência de obesidade na população
brasileira, a redução dos preços dos medicamentos após a quebra de patentes e o
forte apelo cultural relacionado à estética e à busca pelo corpo ideal explicam
a expansão prevista para o setor.
No cenário
mundial, o mercado de medicamentos para emagrecimento saltou de US$ 13 bilhões
em 2022 para US$ 48 bilhões em 2024. A expectativa é que alcance US$ 183
bilhões até 2030, com crescimento anual de 25% a partir de 2025.
Segundo
Gerson Charchat, sócio e líder do setor de Consumo da Strategy& Brasil,
braço de consultoria estratégica da PwC, o avanço do mercado brasileiro será
impulsionado principalmente pelas classes C, D e E.
“Cerca de
68% da população com sobrepeso ou obesidade no Brasil está concentrada nessas
faixas de renda. A tendência é que a redução dos preços, decorrente da entrada
de genéricos e de novas formas de administração do medicamento, como versões
orais, amplie significativamente o acesso”, afirma.
Influência
das redes sociais acelera expansão
Outro fator
apontado pela PwC para justificar o crescimento acima da média mundial é a
forte influência das redes sociais sobre o comportamento de consumo dos
brasileiros.
Atualmente,
o Brasil é o segundo país do mundo mais impactado pelas redes sociais na tomada
de decisões de consumo. Para os especialistas, as canetas emagrecedoras
deixaram de ser apenas uma ferramenta médica para se tornarem um fenômeno
cultural.
“Esse
produto claramente saiu da lógica da medicina e entrou na lógica social e
cultural”, destaca Charchat.
Mudança nos
hábitos alimentares
O estudo
mostra que a popularização das canetas emagrecedoras tem potencial para alterar
profundamente os hábitos de consumo da população.
Pesquisas
realizadas nos Estados Unidos apontam redução significativa nos gastos com
alimentação entre usuários dos medicamentos. Um levantamento publicado no Journal
of Marketing Research, com base em dados de 150 mil domicílios, identificou
queda média de 5,3% nas despesas com supermercados após seis meses de
tratamento.
Entre
consumidores de maior renda, a retração chegou a 8,2%. O consumo de petiscos
salgados caiu 10,1%, enquanto os gastos com fast-food recuaram 8%.
Outra
pesquisa, acompanhando mais de 30 mil consumidores americanos durante um ano,
mostrou redução de 10% nos gastos em mais de 100 categorias de produtos. Além
disso, 37% dos usuários relataram diminuição do consumo de bebidas alcoólicas.
Os dados
também revelam que:
·
56% reduziram o consumo de açúcar, alimentos
ultraprocessados e álcool;
·
56% aumentaram a ingestão de proteínas;
·
47% passaram a consumir porções menores;
·
29% redirecionaram recursos antes destinados à
alimentação para serviços de beleza, bem-estar e cuidados pessoais.
Empresas
precisam se adaptar ao novo consumidor
Para
Luciana Medeiros, sócia-líder de varejo da PwC Brasil, as mudanças provocadas
pelas canetas emagrecedoras não representam uma tendência temporária.
“Estamos
diante de um novo perfil de consumidor, mais consciente, planejado e informado
sobre alimentação. Isso exige das empresas uma revisão profunda de estratégia,
portfólio e operação”, afirma.
O varejo
alimentar já começou a se adaptar a essa realidade. Supermercados,
hipermercados e atacarejos têm revisto o mix de produtos oferecidos e estudado
novas estratégias para manter a fidelidade dos consumidores.
Entre as
medidas sugeridas pela PwC estão:
·
Ampliação da oferta de produtos saudáveis;
·
Embalagens e porções menores;
·
Maior variedade de itens;
·
Programas de assinatura e fidelização;
·
Revisão das campanhas publicitárias, reduzindo o
foco em excessos e indulgência alimentar.
Segundo a
consultoria, promoções baseadas em grandes volumes de compra tendem a perder
eficácia à medida que os consumidores passam a adquirir menos alimentos por
visita às lojas.
Indústria
reage mais lentamente
Enquanto o
varejo alimentar já percebe os impactos das mudanças de comportamento, a
indústria de alimentos e bebidas ainda avança em ritmo mais lento.
De acordo
com a PwC, grandes multinacionais ainda enxergam o fenômeno como algo mais
consolidado nos Estados Unidos e menos relevante no mercado brasileiro.
Além disso,
fatores como juros elevados, endividamento das famílias, incertezas econômicas
e o cenário político contribuem para a cautela das empresas na realização de
investimentos voltados à adaptação de produtos e embalagens.
Moda,
beleza e academias devem ser beneficiadas
Se alguns
segmentos enfrentam desafios, outros enxergam oportunidades.
O setor de
vestuário já começa a ajustar suas grades de tamanhos para atender consumidores
que perderam peso com os tratamentos. Nos Estados Unidos, o aumento da demanda
por roupas menores já é uma realidade, enquanto peças maiores perderam
participação nas vendas.
No Brasil,
grandes redes de varejo e empresas de moda digital monitoram de perto essa
tendência para evitar estoques excessivos de tamanhos maiores.
Além da
moda, áreas ligadas à estética, ao bem-estar e ao esporte devem registrar forte
crescimento.
Academias,
clínicas estéticas, spas, fabricantes de suplementos alimentares e empresas de
produtos de beleza aparecem entre os principais beneficiários da nova dinâmica
de consumo.
Segundo a
PwC, usuários de canetas emagrecedoras tendem a investir mais em cuidados
pessoais, atividade física e procedimentos voltados à manutenção dos resultados
alcançados com os medicamentos.
Transformação
econômica em curso
A avaliação
da consultoria é que a expansão das canetas emagrecedoras representa uma das
maiores transformações recentes no comportamento do consumidor.
Mais do que
um fenômeno relacionado à saúde, o avanço desses medicamentos pode redefinir
estratégias empresariais, alterar cadeias produtivas e abrir novas
oportunidades de negócios em diversos segmentos da economia brasileira ao longo
da próxima década.
Fonte: Delmo Menezes do Agenda Capital






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