"Encantaria" estreia temporada em Sobradinho com sessões para estudantes e público geral
"Encantaria" estreia temporada em Sobradinho com sessões para estudantes e público geral
Espetáculo da companhia IPADÊ, dirigido por Ricardo César, ocupa o Teatro de Sobradinho em abril com debate sobre messianismo, fake news e imaginário popular brasileiro
O mito de
Dom Sebastião, rei português desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir, em
1578, atravessou séculos, oceanos e crenças até ganhar novas camadas no
imaginário popular brasileiro. É dessa travessia entre história, religiosidade
e política que nasce "Encantaria", espetáculo da
companhia IPADÊ que chega ao Teatro de Sobradinho nos dias 13, 14 e 15 de abril
de 2026, com sessões às 15h e 20h, como parte do projeto Circulação Encantada.
A montagem terá ainda uma segunda temporada em outubro, nos dias 5 e 6, também às
15h e 20h.
Dirigida
por Ricardo César, mestre em Teatro pela Universidade de Brasília, a peça parte
da figura mítica de Dom Sebastião para mergulhar na encantaria maranhense,
tradição religiosa afro-indígena que acolheu o rei desaparecido como presença
espiritual em rituais de canto, dança e devoção. No palco, máscaras, bonecos e
objetos cênicos compõem uma atmosfera ritualística em arena, aproximando
intérpretes e espectadores.
Mas
"Encantaria" não se limita a revisitar um mito. A montagem usa esse
material simbólico para lançar luz sobre questões urgentes do presente: a
fabricação de messianismos, a criação de falsos salvadores e a circulação de
narrativas que mobilizam a fé e a esperança popular em contextos marcados por
polarização e desinformação. Ao costurar referências do litoral maranhense, dos
movimentos messiânicos do sertão nordestino e das culturas afro-ameríndias, o
espetáculo convida o público a refletir sobre como essas estruturas simbólicas
seguem ecoando na vida social e política do país.
"Começamos
a pesquisa do Encantaria ainda no primeiro ano da pandemia, em formato virtual.
A ideia surgiu após uma viagem a São Luís do Maranhão, quando eu e o ator
Martin Filho descobrimos a lenda de Dom Sebastião. Ficamos sabendo que na
encantaria maranhense, por exemplo, as princesas Toya Jarina, Mariana e
Erundina são tidas como filhas míticas do rei e se manifestam em médiuns.
Tivemos então que investigar esse universo de encantamento, observando músicas,
vestuários, o corpo dos participantes nos rituais e, a partir dessas
referências, reconstruir cenicamente o nosso trabalho", explica o diretor
Ricardo César.
A obra foi
construída a partir da metodologia do teatro colaborativo, em que direção,
elenco e equipe artística desenvolvem juntos a dramaturgia e a cena. "O
processo colaborativo é uma forma de trabalhar de forma autoral, em que todos
os envolvidos levam propostas e provocações para a cena. É um formato
enriquecedor artisticamente porque gera uma verdadeira troca de conhecimentos
entre a equipe", completa César.
Ao todo, a
circulação prevê 10 apresentações em Sobradinho, voltadas prioritariamente para
estudantes de escolas públicas, com oferta de transporte gratuito para as
turmas, além de um programa educativo com 10 palestras de mediação sobre os
temas abordados e 10 debates entre elenco e público. A proposta articula
fruição artística, formação de plateia e reflexão crítica, ampliando o acesso
ao teatro e estimulando o interesse dos jovens por linguagem cênica, história e
pensamento social.
"Isso
é importantíssimo porque colabora para a formação de plateias, estimula os
alunos a irem ao teatro e a pesquisar mais sobre a linguagem artística",
destaca o diretor.
A
classificação indicativa é de 14 anos. O projeto é realizado com recursos do
Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).
Serviço
Temporada de abril: 13, 14 e 15 de abril de 2026
Horários: 15h e 20h
Segunda temporada: 5 e 6 de outubro de
2026
Local: Teatro
de Sobradinho
Acesso: gratuito
Classificação indicativa: 14 anos
Recursos de acessibilidade em abril
Audiodescrição: 14 de abril, às 15h, e 15 de abril, às
15h
Libras: 13, 14 e 15 de abril, às 20h
Fonte: Baú Comunicação Integrada, Foto de Ogãn Luiz Alves






Nenhum comentário
Postar um comentário