RECENTES

Cinema: “Toy Story 5” condena a pressa de substituir o brincar

 Cinema: “Toy Story 5” condena a pressa de substituir o brincar

“Brinquedos servem para brincar, mas a tecnologia serve para tudo”

Toy Story 5 é, em tese, um filme infantil. Mas basta uma fala de Woody para o longa de 2026 expor o que a Pixar faz de melhor: mostrar que o risco não está nas máquinas, e sim na forma como adultos terceirizam a infância para elas.

O filme não condena a tecnologia. Condena a nossa pressa em substituir o brincar.

O quinto filme da franquia chega nos cinemas do Brasil na quinta-feira (18/6).

Dirigido por Andrew Stanton, já acostumado a trabalhar em animações da pixar (Wall-e, Procurando nemo), o diretor recupera uma essência emocional que esteve perdida nos filmes do estúdio nos últimos anos.

Foto: Divulgação.

Trama

Em Toy Story 5, Jessie se torna a protagonista diante do maior desafio da turma: a chegada definitiva da Era Digital.

Com Woody seguindo seu propósito ao lado de Betty, e Bonnie agora com 8 anos hipnotizada por um tablet inteligente, coube a Jessie liderar os brinquedos que ficaram para trás.

Ao lado de Buzz Lightyear, ela precisa arquitetar um plano para reconquistar a atenção da menina e provar que os brinquedos clássicos ainda têm espaço numa rotina dominada por telas.

É a primeira vez que a cowgirl assume o centro da narrativa, confrontando inseguranças antigas enquanto tenta manter o grupo unido.

O longa, usa esse embate entre tradição e tecnologia para discutir o lugar do brincar na infância contemporânea.

O tablet não é retratado como um vilão, mas como um símbolo de uma nova forma de se entreter que testa os laços afetivos construídos pelos brinquedos ao longo de décadas.

Enquanto Buzz e Jessie tentam provar a relevância da imaginação e da amizade, o reencontro com Woody traz à tona inseguranças e questiona o que ainda mantém os brinquedos vivos num mundo dominado por dispositivos.

A aventura promete humor, nostalgia e uma reflexão sobre limites, dependência e o papel dos adultos ao apresentar a tecnologia às crianças.

Técnica e arte

Tecnicamente, Toy Story 5 eleva o patamar da franquia a um nível de detalhamento nunca antes visto. A animação em 3D atinge um fotorrealismo impressionante nos cenários do quarto de Bonnie e nas texturas dos brinquedos, com iluminação que brinca entre o digital frio do tablet e o calor tátil da madeira, do plástico e do tecido.

Cada fio de cabelo de Jessie e cada arranhão no capacete de Buzz contam uma história. A Pixar prova que, 31 anos depois do primeiro filme, ainda dita o ritmo da indústria quando o assunto é inovação visual.

A grande sacada estética do longa acontece quando os brinquedos acessam as fantasias de Bonnie.

Nesses momentos, a animação abandona o fotorrealismo e adota um traço mais caricato e fluido, quase como um desenho feito à mão por uma criança. As cores ficam mais saturadas, as leis da física são ignoradas e o quadro ganha a liberdade da imaginação infantil.

A transição entre os dois estilos é orgânica e reforça a tese do filme. Para coroar, a trilha sonora conta com participação de Taylor Swift em uma faixa original chamada “Playtime”. A canção embala o clímax e funciona como ponte entre gerações, conectando os pais que cresceram com a franquia e as crianças de hoje.

Toy Story 5 não é só mais um capítulo. É a prova da grandiosidade de uma franquia que foi precursora dos longas de animação 3D e que agora usa sua própria história para discutir o futuro do brincar. Ao colocar telas e brinquedos no mesmo quadro, o filme devolve aos adultos a responsabilidade que muitas vezes terceirizam.

O risco nunca foi o tablet. Foi a nossa ausência. E é aí que a Pixar faz mágica de novo: cria uma obra que diverte crianças de 8 anos e desmonta adultos de 30, lembrando que crescer não significa abandonar o imaginário. No fim, a mensagem é simples e urgente. Tecnologia entretém, mas só o afeto cria memória.

Ficha técnica

  • Direção: Andrew Stanton.
  • Roteiro: Andrew Stanton e Kenna Harris.
  • Data de lançamento: 18 de junho de 2026.
  • Duração: 1 hora e 42 minutos (102 minutos).
  • País de origem: EUA.
  • Gênero: Comédia, Aventura.
  • Elenco: Joan Cusack (Jessie), Tom Hanks (Woody), Tim Allen (Buzz).

Por Átila Lustosa (assistiu ao filme a convite da Espaço/Z), Supervisão de Luiz Claudio Ferreira 

Nenhum comentário