MST ocupa área da Fazenda Sálvia e cobra avanço da reforma agrária no DF
Luta pela terra
MST ocupa área da Fazenda Sálvia
e cobra avanço da reforma agrária no DF
Ação em Planaltina reúne 300 famílias; movimento afirma que área sofre pressão da grilagem e da especulação imobiliária

Famílias montam acampamento em
território reivindicado para assentamento rural na região de Planaltina, no
Distrito Federal. | Crédito: Divulgação/MST DFE
Cerca de
300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam,
na manhã desta sexta-feira (5), a Gleba 223 da Fazenda Sálvia, em Planaltina,
região administrativa do Distrito Federal. Segundo o movimento, a ação faz
parte da Jornada Nacional em Defesa da Natureza e de seus Povos, realizada em
diferentes regiões do país.
Durante a
ocupação, as famílias irão plantar mais de 200 mudas de espécies nativas do Cerrado como
símbolo de recuperação ambiental e defesa da função social da terra. Em nota, o
MST afirma que a área vem sendo alvo de grilagem, avanço do agronegócio e
especulação imobiliária.
A Fazenda
Sálvia é uma área pública da União localizada entre Planaltina e Sobradinho e
marcada por disputas fundiárias históricas. O território é cobiçado tanto por
empreendimentos imobiliários quanto por ocupações rurais e parcelamentos
irregulares, situação que se intensificou nos últimos anos.
A ocupação
ocorre menos de três meses após o governo federal declarar parte da Fazenda
Sálvia como área de interesse público para fins de reforma agrária. A medida
foi formalizada pela Portaria SPU/MGI nº 2.173, publicada no Diário Oficial da
União (DOU) de 18 de março deste ano.
Assinada
pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão
e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a portaria prevê a implantação de um
projeto de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra) na área.
O texto
estabelece que o território será destinado à “ocupação de famílias de
trabalhadores rurais sem terras selecionadas como beneficiárias do Programa
Nacional de Reforma Agrária”. A publicação também determina que a SPU comunique
oficialmente o Incra para adoção das providências necessárias sobre a
destinação da área.
Regularização
Apesar da
publicação da portaria, ainda não há cronograma público para a realização de
estudos técnicos, vistorias ambientais ou criação oficial do assentamento. O
MST cobra agilidade do governo federal na implementação da reforma agrária na região.
Segundo o
movimento, a Gleba 223 sofre impactos ambientais provocados pelo desmatamento e
pelo uso intensivo de agrotóxicos. As famílias defendem que a destinação da
área para assentamentos pode fortalecer a produção de alimentos e contribuir
para a preservação do Cerrado.
A Fazenda
Sálvia já foi alvo de debates na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF),
ações de fiscalização e disputas judiciais envolvendo regularização fundiária.
A área foi desapropriada pela União na década de 1950 para a construção de
Brasília e, ao longo dos anos, o baixo controle do estado contribuiu para que o
território se tornasse uma das áreas mais disputadas do Distrito Federal.
Outro lado
A
reportagem procurou o Incra para questionar em que estágio está o processo
de regularização da Fazenda Sálvia, quais medidas estão previstas e se há
previsão para criação de assentamentos na área ocupada pelo MST. O texto será
atualizado em caso de resposta.
Fonte: KENNEDY CRUZ/brasildefato.com.br, Editado por: Flavia Quirino





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