Eleições 2026: especialistas traçam os perfis do eleitorado brasiliense
Análise de dados
Eleições 2026: especialistas
traçam os perfis do eleitorado brasiliense
Escolaridade, distribuição geográfica e dados cadastrais disponibilizados pelo TSE ajudam a traçar o retrato dos brasilienses que irão às urnas nas eleições de 2026

Com
2.253.132 eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, segundo dados do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Distrito Federal possui o terceiro maior
eleitorado da região Centro-Oeste, atrás de Goiás, com cerca de 5 milhões de
eleitores, e de Mato Grosso, com 2,6 milhões. A partir disso, a redação reuniu
os dados do cadastro eleitoral para traçar o perfil dos brasilienses que irão
às urnas em outubro.
A
predominância feminina no eleitorado do DF (54%) deve influenciar diretamente
as estratégias das campanhas para as eleições de 2026, avaliou o analista de
risco político e sócio da Royal Politics Consultoria e MKT Político, Rócio
Barreto. Ele destacou que a maioria feminina exigirá que os candidatos
priorizem propostas voltadas para esse público. "A campanha tem que ser
bem direcionada a pautas para as mulheres, sem ficar somente focada em questões
ideológicas. É preciso abordar temas, como saúde, proteção social, geração de
emprego, criação de creches, combate à violência doméstica e ao feminicídio,
empreendedorismo feminino e primeira infância", afirmou.
Barreto
destacou que o perfil etário do eleitor brasiliense favorece candidatos que
consigam transmitir experiência e capacidade de gestão, uma vez que a maior
parcela do eleitorado está concentrada entre pessoas de 40 a 49 anos, seguida
pela faixa de 30 a 39 anos. Apesar de os jovens de 16 a 18 anos representarem
uma parcela menor, o analista ressaltou que eles não podem ser ignorados.
"Esse cenário favorece candidatos que transmitam estabilidade e resultados
concretos. Ao mesmo tempo, as redes sociais continuarão sendo decisivas, mas a
estratégia não pode ficar restrita ao Instagram. Facebook, TikTok, X e YouTube
precisam ser considerados para alcançar essas diferentes faixas etárias",
explicou.
O cenário
eleitoral de 2026, ainda segundo Barreto, aponta para uma disputa menos
centrada em discursos ideológicos e mais voltada à apresentação de soluções
concretas para os problemas do cotidiano. "O eleitor tende a valorizar
candidatos capazes de apresentar respostas para temas, como mobilidade, saúde,
segurança, geração de emprego e qualidade dos serviços públicos", disse.
Ele afirmou que candidatos aos cargos do Executivo, Senado e Câmara Federal
precisarão adaptar o discurso às diferentes realidades das regiões
administrativas. "Cada lugar tem demandas específicas. Os candidatos
precisam demonstrar que conhecem essas diferenças e apresentar políticas
públicas e investimentos compatíveis com a realidade de cada localidade",
ressaltou.
perfil eleitorado df (foto:valdo virgo)
Contrastes
Doutor em
direito, sociólogo e professor do Ibmec Brasília, Hector Vieira explicou que a
análise do perfil do eleitorado do DF exige cautela, especialmente em relação
às informações sobre cor, raça, identidade de gênero e deficiência. Esses
dados, segundo ele, não representam todo o eleitorado, uma vez que dependem de
autodeclaração e atualização cadastral voluntária junto à Justiça Eleitoral.
"No caso do DF, apenas 381.597 dos 2.253.132 eleitores, pouco mais de 17%,
informaram cor/raça ou identidade de gênero, e apenas 24.832, cerca de 1,1%,
informaram alguma deficiência", disse.
Para
Vieira, um dos dados mais reveladores do cadastro eleitoral é a distribuição da
escolaridade, que evidencia as desigualdades internas do Distrito Federal.
Embora Brasília costume aparecer nos indicadores nacionais como uma das
unidades da federação com maior renda e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),
o perfil do eleitorado mostra uma realidade mais heterogênea.
"Os
números mostram que 30,74% têm o ensino médio completo como teto de
escolaridade, 23,34% concluíram o ensino superior, e quase um em cada três
eleitores não chegou a terminar o ensino médio", afirmou. Segundo ele,
essa diferença reflete a segregação socioespacial historicamente documentada no
DF, onde convivem regiões de alta renda e áreas com maior vulnerabilidade
social.
O
especialista chamou atenção para a distribuição geográfica dos eleitores. De
acordo com ele, as zonas eleitorais demonstram que a maior concentração de
votantes está fora do Plano Piloto. "Ceilândia, somando as três zonas que
a cobrem junto com Brazlândia, concentra sozinha 16,39% do eleitorado do DF,
mais que o dobro do núcleo histórico do Plano Piloto (Asa Sul, Asa Norte e
Cruzeiro/Sudoeste/Octogonal), que soma 11,77%", destacou.
Fonte:Ana Carolina Alves/Correio Braziliense






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