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Um Caso de amor: Caio Bonfim e João Sena celebram nova pista do Augustinho Lima

 Um Caso de amor: Caio Bonfim e João Sena celebram nova pista do Augustinho Lima

Piso atualizado devolve ao Centro de Atletismo de Sobradinho melhores condições de treino. Pai e filho projetam evolução das modalidades na capital do país 

Caio Bonfim cresceu treinando no estádio, tem o local como segunda casa e agora reencontra um piso completamente diferente - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

João Sena ainda se lembra das rachaduras na antiga pista do Augustinho Lima e dos riscos que elas representavam para os atletas do Centro de Atletismo de Sobradinho, o Caso. Caio Bonfim cresceu treinando no estádio, tem o local como segunda casa e agora reencontra um piso completamente diferente. "Adaptar-se às coisas novas é mais fácil", celebra o medalhista olímpico.


O equipamento público agonizou por sete anos, entre o fechamento dos portões para todas as atividades e a reinauguração com uma pista de atletismo totalmente nova, a custo de R$ 6,5 milhões. A antiga estrutura, reformada em 2008, havia chegado ao fim da vida útil. As rachaduras se espalhavam pelo piso e chegaram a provocar tropeços e quedas durante os treinos.


Para receber a nova pista, foi necessário retirar completamente a antiga estrutura e preparar o espaço para o novo piso. O resultado são oito raias e uma pista que, segundo Sena, tem condições de receber um Campeonato Brasileiro.

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A nova estrutura começa a mudar a rotina do Caso. Sena planeja distribuir os treinos das equipes entre manhã, tarde e noite e destaca condições que antes também faziam falta: banheiros, água potável e um espaço considerado seguro para os atletas. Os refletores ainda estão sendo trocados, mas a pista foi liberada pela Secretaria de Esporte para o trabalho do clube no período noturno.


"A pista é um sucesso e fez aparecer meninos que estavam sumidos há muito tempo", conta Sena. Segundo ele, os próprios atletas têm elogiado o novo piso. "Quando a pista é novinha, é mais macia, os garotos sentem que vale a pena", vibra.

Atletas correm e pisam "fofo" na nova pista do Estádio Augustinho Lima (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


O piso novo encontra um Caio diferente daquele que precisou esperar anos e atravessar uma longa sequência de conquistas até chegar ao pódio olímpico. A prata em Paris-2024 e o ouro no Mundial de Tóquio em 2025 vieram depois de uma carreira marcada por recordes e medalhas, mas não encerraram a busca do brasiliense. Aos 35 anos, ele mira Los Angeles-2028 e mantém os pés no chão e agenda cheia até lá.


A preparação para o próximo ciclo também passa por testar novos limites. Caio aumentou em um quilômetro o percurso que costumava fazer e tem no radar o Mundial de Atletismo do próximo ano e os Jogos Sul-Americanos, em setembro, na Argentina. A competição continental resgata uma disputa de quatro anos atrás: em 2022, nos 20 km de Assunção, o brasileiro foi bronze, atrás dos equatorianos Brian Pintado e David Hurtado.


Desde então, os três transformaram aquela corrida em uma espécie de retrato do alto nível da marcha sul-americana e mundial: Pintado foi campeão olímpico, Hurtado conquistou o título pan-americano e Caio chegou ao título mundial.


É nesse novo estágio da carreira que o medalhista olímpico volta a treinar no Augustinho Lima. "É pista nova. Adaptar-se às coisas novas é mais fácil. Está sendo legal, estou feliz em estar de volta para casa, treinando. Tudo isso fará muito bem para Sobradinho e para o atletismo brasiliense", afirma.


Apesar da nova pista, o Augustinho Lima ainda não tem toda a estrutura que Sena gostaria. O Caso pleiteia uma sala de musculação, por exemplo. A reportagem visitou o estádio e encontrou máquinas, tubos de drenagem, areia e outros materiais de construção ocupando parte do espaço. As arquibancadas têm mato brotando e dificultam exercícios.


Procurada, a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) esclareceu que os serviços encontrados pela reportagem fazem parte de uma ordem de manutenção predial, posterior à entrega da reforma. As intervenções incluem pintura, iluminação e outras adequações no complexo e têm previsão de conclusão até o fim de setembro. Segundo a pasta, os trabalhos são acompanhados pela equipe técnica para garantir a execução das etapas previstas e deixar o estádio adequado para atletas, equipes e comunidade.

 

Ainda há melhorias em curso no Augustinho Lima: máquinas e profissionais trabalhando em meio ao treino do Caso (foto:Ed Alves/CB/D.A Press)

 

Atletas do Caso precisam desviar do mato para fazer exercícios nas arquibancadas do Augustinho Lima(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


O plano de Sena vai além da marcha atlética. O Caso pretende criar, até 2028, uma escolinha de salto com vara, modalidade que, segundo ele, ainda carece de estrutura em Brasília. O projeto esbarra no custo dos equipamentos: um colchão para a prática custa cerca de R$ 130 mil, enquanto cada vara pode variar de R$ 2 mil a R$ 3 mil. "Está faltando em Brasília inteira a prática do salto com vara. Temos o projeto para 2028", compartilha.

 

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Fonte: Victor Parrini/CorreioBraziliense

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