Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto; veja quanto o consumidor já paga
Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto; veja quanto o consumidor já paga
(*) Delmo Menezes
Caem preços das canetas emagrecedoras. Foto: Reprodução.
Preço nas farmácias caiu cerca de 70% e
medicamentos que custavam até R$ 2 mil já podem ser encontrados na faixa de R$
300 a R$ 400; Ministério da Saúde estima investimento de R$ 1,5 bilhão por ano
As chamadas canetas emagrecedoras estão passando por uma mudança
importante no mercado brasileiro. A ampliação da concorrência, o registro de
novos medicamentos e o avanço da produção nacional fizeram os preços caírem
significativamente e abriram caminho para uma possível incorporação desses
tratamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o Ministério da Saúde, o preço desses medicamentos nas farmácias
caiu cerca de 70% em menos de um ano. Produtos que anteriormente
chegavam a custar entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil já podem ser encontrados
na faixa de R$ 300 a R$ 400, dependendo do medicamento, apresentação e
estabelecimento.
Agora, o governo federal estima que, com compras em grande escala pelo
SUS e a produção nacional, seja possível obter uma redução de 80% a 90% nos
preços de aquisição.
A estimativa apresentada pelo Ministério da Saúde é de um orçamento de
aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para uma eventual incorporação dos
medicamentos contra a obesidade ao sistema público.
Caminho para o SUS já começou
O Ministério da Saúde protocolou, em 24 de setembro, um pedido de
avaliação na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS
(Conitec) para analisar a incorporação dos medicamentos à base de GLP-1
utilizados no tratamento da obesidade.
Isso significa que os medicamentos ainda não foram incorporados de
forma ampla ao SUS. O pedido agora passa pelo processo de avaliação
técnica, que considera evidências de eficácia, segurança, custo e impacto para
o sistema público.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a estratégia
não trata o medicamento como uma solução estética, mas como parte do tratamento
da obesidade associado a outras medidas de cuidado.
Concorrência derrubou os preços
Uma das principais mudanças ocorreu com a entrada de novos fabricantes
no mercado brasileiro.
De acordo com o Ministério da Saúde, um chamamento realizado em conjunto
com a Anvisa estimulou empresas nacionais e internacionais a registrar novos
produtos. Somente em 2026, 16 novos produtos foram registrados,
incluindo genéricos e similares, e pelo menos quatro são produzidos no Brasil.
Em setembro, o Ministério informou que já havia 25 produtos
disponíveis no mercado nacional, ampliando a concorrência e as opções para
os pacientes.
A expiração da patente da semaglutida também abriu espaço para novos
registros. A Anvisa registrou, em maio, o primeiro medicamento de semaglutida
sintética análoga ao Ozempic, após avaliação de eficácia, segurança e
qualidade.
Mais brasileiros passaram a usar as canetas
A expansão da oferta também aparece nos números de utilização.
Segundo dados citados pelo Ministério da Saúde com base na Anvisa, o
número de pessoas que utilizam canetas emagrecedoras passou de aproximadamente 400
mil para mais de 750 mil por mês.
O crescimento acompanha a redução dos preços e a chegada de novas
alternativas ao mercado.
Quanto poderá custar ao SUS?
A projeção do Ministério da Saúde é ainda mais expressiva.
Com o poder de compra do SUS, produção nacional e aquisição em larga
escala, a pasta calcula que poderá negociar uma redução de aproximadamente 80%
a 90% sobre os preços de aquisição. O orçamento estimado para
disponibilizar esses medicamentos é de cerca de R$ 1,5 bilhão por ano.
A lógica é aumentar a escala de compra e aproveitar a expansão da
produção nacional para reduzir o custo por tratamento.
Tratamento não será liberado indiscriminadamente
O Ministério da Saúde também sinaliza que uma eventual incorporação ao
SUS deverá ocorrer dentro de protocolos clínicos e critérios médicos.
Em estudo realizado no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, por
exemplo, o governo acompanha pacientes com obesidade grave ou associada a
outras doenças para avaliar o uso da semaglutida. O estudo Real-Bari prevê o
acompanhamento de 250 pacientes.
A proposta é avaliar em quais situações o tratamento pode trazer
benefícios clínicos e qual deve ser a população elegível.
OMS recomenda abordagem integrada
A discussão também acompanha as recomendações internacionais sobre o
tratamento da obesidade. A estratégia defendida pelo Ministério da Saúde
considera o uso dos medicamentos associado a alimentação adequada, atividade
física e acompanhamento de saúde.
O governo também ampliou investimentos na Academia da Saúde,
política integrada à Atenção Primária que oferece atividades físicas e ações de
promoção da saúde e prevenção de doenças.
Atenção aos produtos irregulares
Com a popularização das canetas, a Anvisa também intensificou a
fiscalização. A agência alerta que produtos sem registro sanitário não têm sua
segurança, qualidade e eficácia avaliadas no Brasil.
Em setembro, por exemplo, a Anvisa proibiu a importação, comercialização
e uso da caneta T36, por não possuir registro sanitário no país.
Por isso, a orientação é utilizar somente medicamentos regularizados
pela Anvisa e com acompanhamento de profissional de saúde.
(*) Fonte: Delmo Menezes do Agenda Capital







.png)
Nenhum comentário
Postar um comentário