“Severino e Silva” leva danças populares nordestinas ao Gama e a Sobradinho
“Severino e Silva” leva danças populares nordestinas ao Gama e a Sobradinho
Espetáculo da Transições Cia de Dança reúne dez coreografias inspiradas em João Cabral de Melo Neto e Candido Portinari
Foto: Marcello Candido/ Divulgação
A
literatura de João Cabral de Melo Neto e as artes visuais de Candido Portinari
ganham uma nova dimensão em “Severino e Silva”, espetáculo da Transições Cia de
Dança que chega ao Gama e a Sobradinho. Com dez coreografias de danças
populares nordestinas, a montagem transforma em movimento referências ligadas à
cultura e à trajetória do povo nordestino.
Com
direção artística de Lehandro Lira e ensaios de Charles Costa, a obra
estabelece uma relação com o poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de
Melo Neto, e com trabalhos de Portinari. Frevo, coco, cavalo-marinho, baião,
xaxado e caboclinho estão entre as manifestações que fazem parte da pesquisa da
companhia, que mantém atuação voltada à dança popular do Distrito Federal.
A
proposta surgiu do encontro entre diferentes linguagens artísticas. Para
Lehandro Lira, a aproximação entre dança, literatura e artes plásticas também
amplia as possibilidades de comunicação com o público. “Eu acho que a arte tem
essa funcionalidade de unir tanto as artes plásticas quanto a literatura”,
afirma o diretor artístico. Segundo ele, a integração permite alcançar
espectadores com diferentes formas de relação com a arte e pode aproximar a
produção cultural dos estudantes da rede pública de ensino.
Foto: Marcello Candido/
Divulgação
Essa
perspectiva está presente na maneira como o espetáculo transporta referências
visuais para o palco. Em vez de permanecer restrita à pintura, a imagem passa a
ser interpretada pelos corpos dos bailarinos, pelos figurinos e pela composição
cênica. “Quando você vê um bailarino vestido com determinado figurino que traz
de fato uma referência muito forte do que está pintado, do que o próprio
Candido quis colocar enquanto uma mensagem, o público acaba enxergando de uma
outra forma”, explica Lira.
A
montagem, portanto, propõe que o contato com uma obra artística aconteça também
por meio da experiência corporal. A dança funciona como uma forma de apresentar
aos espectadores elementos que podem ser conhecidos por outros meios, mas que
adquirem novos sentidos quando relacionados ao movimento e à presença dos
intérpretes.
Com
15 bailarinos em cena, “Severino e Silva” também se insere na trajetória da
Transições Cia de Dança e Artes, que atua há anos com manifestações populares
de origem nordestina no Distrito Federal. A companhia desenvolve trabalhos
relacionados a diferentes ritmos e danças dramáticas e tem entre suas frentes a
formação de novos públicos e a valorização de artistas periféricos.

Foto: Marcello Candido/
Divulgação
Para
Lira, a presença da dança popular nordestina no DF é parte importante da
atuação do grupo. “O espetáculo tem essa missão de fazer com que a dança
popular nordestina se faça presente e que não seja só mais um corpo, mas um com
que o público possa se identificar”, diz. O diretor acrescenta que a companhia
vem enfatizando essa linguagem ao longo de sua trajetória e que o trabalho já
alcançou outros países.
A
remontagem ocorre após a estreia do espetáculo e a procura da rede pública de
ensino. A continuidade do projeto também está associada à atuação da companhia
como espaço de circulação e multiplicação cultural e pedagógica, com ações
voltadas à formação de público e à participação de profissionais da área
artística.
Foto: Marcello Candido/
Divulgação
As
atividades contam com medidas de acessibilidade. O projeto é realizado com
recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).
Serviço
Severino e Silva — Transições Cia de Dança
Data: 20 de setembro, às 20h
Local: Teatro Paulo Gracindo, Sesc Gama
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia, mediante doação de 1 quilo de
alimento)
Data: 27 de setembro, às 16h e às 20h
Local: Teatro de Sobradinho
Entrada: gratuita
Fonte:Alexya Lemos/Jornal de Brasilia









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