RECENTES

Rede de hemodiálise no DF cresce 74% com investimentos do GDF

 Rede de hemodiálise no DF cresce 74% com investimentos do GDF

Investimentos de R$ 9,6 milhões ampliaram equipamentos e capacidade de atendimento, beneficiando cerca de 3.600 pacientes renais crônicos.

Geraldo Rodrigues dos Santos, pedreiro de 62 anos morador de Planaltina, descobriu há quase 11 anos que sofria de doença renal crônica após notar pernas inchadas e falta de apetite. Desde o diagnóstico, ele realiza sessões de hemodiálise três vezes por semana no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), integrando-se à rotina de milhares de pacientes atendidos pela rede pública do Distrito Federal.

A rede de nefrologia tem passado por ampla expansão para atender ao aumento de casos de doença renal crônica. Entre 2019 e 2026, o número de equipamentos de hemodiálise da Secretaria de Saúde (SES-DF) saltou de 72 para 125, representando um crescimento de cerca de 73,6%. No mesmo período, os sistemas de osmose reversa, essenciais para a qualidade da água no processo de diálise, aumentaram de 15 para 47 unidades, uma expansão de aproximadamente 213,3%.

Os investimentos nessa área somaram R$ 9,6 milhões entre 2020 e 2026, direcionados à aquisição de equipamentos e modernização de estruturas. As máquinas estão distribuídas em diversos hospitais regionais, com as maiores concentrações no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), com 40 equipamentos, e no HRS, com 31. Outros locais incluem os hospitais regionais da Asa Norte, Gama, Ceilândia, Planaltina, Samambaia e o Hospital Materno Infantil de Brasília.

De acordo com a subsecretária de Atenção Integral à Saúde da SES-DF, Raquel Mesquita, a ampliação responde ao crescimento da demanda. Estima-se que 10% da população mundial tenha doença renal crônica em algum estágio, e no DF cerca de 30 mil pessoas vivem com a condição, das quais 3.600 necessitam de diálise. As reformas estruturais ocorreram nos hospitais regionais de Taguatinga e Gama, com renovação dos serviços e aquisição de novas máquinas.

Com essas mudanças, a capacidade de sessões de hemodiálise aumentou de 774 para 2.200, permitindo maior reinserção dos pacientes em suas atividades diárias e melhoria na qualidade de vida. Raquel Mesquita destaca que o tratamento é essencial para a manutenção da vida e que as novas vagas facilitam a saída do ambiente hospitalar.

A hemodiálise é indicada quando os rins não filtram o sangue adequadamente, com função renal abaixo de 15%, levando a acúmulo de toxinas e sintomas como náuseas, fadiga, inchaço e falta de ar. No HRS, as sessões duram cerca de quatro horas, três vezes por semana, exigindo disciplina, restrição de água e dieta específica.

A enfermeira Margarida Matsumoto, do HRS, explica que os equipamentos antigos, com mais de uma década de uso, causavam falhas e reorganização constante da equipe. Agora, com 60 pacientes com vagas fixas, o sistema opera de forma mais organizada e eficaz. Ela enfatiza a resiliência dos pacientes e o impacto positivo na comunidade, especialmente considerando o alto custo do tratamento no SUS.

Geraldo relata que o diagnóstico inicial foi impactante, mas as melhorias nos equipamentos trouxeram alívio: “Com as novas máquinas, melhorou 100%. Antes dava problema, às vezes tinha que esperar, remarcar.”

Além da hemodiálise, a rede oferece diálise peritoneal, realizada em casa, utilizada por cerca de 25% dos pacientes no DF, acima da média nacional. A SES-DF também auxilia pacientes em viagens, interligando com unidades do SUS em outros estados para manter o tratamento.


Fonte: Jornal de Brasília, Fotos: MatheusBorges/Agência Brasília

Nenhum comentário