Alerta ao risco de queimadas: atenção redobrada em julho, agosto e setembro
Alerta ao risco de queimadas: atenção redobrada em julho, agosto e setembro
Até o início de julho, o DF registrou 2.320 incêndios em vegetação este ano. Bombeiros destacam que descuido e ação humana, muitas vezes criminosa, seguem entre as principais causas dos focos, que podem virar tragédias
Crimes ambientais tem pena de reclusão de dois
a quatro anos, além de multa
Mesmo antes do período mais crítico da estiagem, o Distrito Federal contabiliza 2.320 ocorrências de incêndio em vegetação em 2026. O número representa pouco mais de um terço de todos os registros de 2025, quando foram contabilizados 6.488 incêndios, e cerca de 27% do total de 8.545 ocorrências registradas em 2024, ano marcado por uma intensa temporada de queimadas. Apesar da redução, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) reforça que os meses de julho, agosto e setembro concentram historicamente o maior número de ocorrências e exigem atenção redobrada da população.
Os dados
fazem parte do balanço da Operação Verde Vivo (OPVV), realizada anualmente pelo
CBMDF para prevenir e combater incêndios florestais em todo o DF. Segundo o
capitão Jean Charles, do Corpo de Bombeiros, a Operação Verde Vivo é planejada
para acompanhar o aumento gradual do risco de incêndios ao longo da estiagem.
"Anualmente, o CBMDF realiza a OPVV entre abril e novembro, com o objetivo
de prevenir e combater os incêndios florestais no DF. As ações operacionais
concentram-se entre maio e outubro, período de maior incidência de ocorrências
em razão da estiagem", explica.
Neste ano,
foram registradas 468 ocorrências entre janeiro e abril, antes do início das
ações operacionais mais intensas. Em maio, houve 589 incêndios, seguido de 554
em junho e 691 registros até o dia 23 de julho, totalizando 2.320
ocorrências. Em 2024, julho somou 1.594 ocorrências, agosto 2.065 e setembro
atingiu o pico de 2.851 incêndios. Em 2025, os maiores volumes também ocorreram
entre julho (1.566), agosto (1.826) e setembro (1.361).
Outro
diferencial da operação é o monitoramento permanente dos focos de calor. O
sistema utiliza câmeras de longo alcance instaladas na Torre Digital, em
parceria com a Universidade de Brasília (UnB), além de imagens de satélite que
permitem identificar rapidamente novos incêndios. Para reduzir o tempo de
resposta, postos avançados são instalados estrategicamente próximos às áreas
mais vulneráveis durante a Operação Verde Vivo.
Prevenção
Para a
gestora ambiental e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Paloma
Ludmyla, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar novos
incêndios. "Parece redundante falar, mas cada pequeno gesto pode fazer
muita diferença. Quando o clima está quente e seco, até um caco de vidro pode
superaquecer e iniciar um incêndio", destaca.
Ela alerta
que uma prática comum nesta época do ano é a tentativa de limpar terrenos
utilizando fogo. "Em algumas propriedades, o mato se avoluma e algumas
pessoas tentam fazer o aceiro sem técnica, e isso é muito perigoso. O fogo
sempre tem potencial para se alastrar e sair do controle de quem o iniciou.
Antes de pensar em agir de forma despreparada, é importante buscar orientação.
O ideal é utilizar roçadeiras ou tratores para fazer o aceiro", disse.
Além dos
danos ambientais, a pesquisadora destaca os impactos diretos na saúde da
população. "A fumaça, dependendo do material que está queimando, pode ser
bastante tóxica e conter substâncias químicas. Algumas pessoas já sofrem os
primeiros sintomas da seca, mas, para outras, esse período é especialmente
difícil. Por isso, a prevenção é sempre a melhor atitude. Evitar qualquer tipo
de fogo, até mesmo para fins recreativos, como fogueiras, é fundamental para
evitar tragédias". Em 2025, os servidores brigadistas do IBGE Valmir de
Souza e Silva e Manoel José de Souza Neto, ambos de 65 anos, morreram ao tentar
combater um incêndio florestal.
Crime
Além dos
prejuízos ambientais, provocar incêndios em vegetação configura crime
ambiental. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o artigo
41 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê pena de reclusão de
dois a quatro anos, além de multa, para quem provocar incêndio de forma
intencional.
Quando o
incêndio ocorre por imprudência, negligência ou imperícia, a legislação
estabelece detenção de seis meses a um ano, também acompanhada de multa. A
população pode denunciar crimes ambientais por meio da Ouvidoria do Governo do
Distrito Federal (telefone 162), do
Instituto Brasília Ambiental (Ibram) ou da Polícia Militar Ambiental.
Fonte: Vitória
Torres / Correio Braziliense, Foto:






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