Últimas sessões de “Encantaria” em 2026 levam o rei encantado de volta a Sobradinho
Últimas sessões de “Encantaria” em 2026 levam o rei encantado de volta a Sobradinho
Companhia IPADÊ encerra o projeto Circulação Encantada nos dias 5 e 6 de outubro, com quatro apresentações gratuitas que retomam o debate sobre fé, mito e falsos salvadores iniciado na temporada de abril
Seis meses depois de estrear no Teatro de Sobradinho, “Encantaria” volta ao mesmo palco para se despedir de 2026. Nos dias 5 e 6 de outubro, segunda e terça-feira, a companhia IPADÊ faz as quatro últimas apresentações do projeto Circulação Encantada, com sessões às 15h e às 20h e entrada gratuita. É a última chance do ano de assistir à montagem dirigida por Ricardo César, que parte do mito de Dom Sebastião para discutir como a esperança popular pode ser capturada por promessas de salvação.
A primeira temporada ocupou o teatro entre 13 e 15 de abril, com seis
sessões voltadas prioritariamente a estudantes da rede pública, que chegaram ao
espetáculo com transporte gratuito. Parte das apresentações contou com
audiodescrição e interpretação em Libras, e todas foram seguidas de palestras
de mediação e debates entre elenco e plateia.
Em cena, o rei português desaparecido na Batalha de Alcácer-Quibir, em
1578, reaparece como presença espiritual da encantaria maranhense, tradição
religiosa afro-indígena que o acolheu em seus rituais de canto, dança e
devoção. A encenação em arena aproxima intérpretes e espectadores, enquanto
máscaras, bonecos e objetos cênicos criam a atmosfera de ritual que conduz o
espetáculo.
A partir desse universo, a peça costura referências do litoral
maranhense, dos movimentos messiânicos do sertão nordestino e das culturas
afro-ameríndias para olhar o Brasil de hoje. Estão no centro da montagem a
fabricação de messianismos, a figura do salvador que promete e não chega e a
circulação de narrativas que mobilizam a fé em um país atravessado pela
polarização e pela desinformação.
A pesquisa começou no primeiro ano da pandemia, ainda em formato
virtual, depois que Ricardo César e o ator Martin Filho conheceram a lenda de
Dom Sebastião em uma viagem a São Luís. Na tradição maranhense, as princesas
Toya Jarina, Mariana e Erundina são tidas como filhas míticas do rei e se
manifestam em médiuns. Músicas, vestuário e o corpo dos participantes nos
rituais viraram matéria-prima de uma criação coletiva, feita pela metodologia
do teatro colaborativo. “O processo colaborativo é uma forma de trabalhar de
forma autoral, em que todos os envolvidos levam propostas e provocações para a
cena. É um formato enriquecedor artisticamente porque gera uma verdadeira troca
de conhecimentos entre a equipe”, afirma o diretor, mestre em Teatro pela
Universidade de Brasília.
Ao longo das duas temporadas, a aposta do Circulação Encantada foi levar
jovens ao teatro e ligar a experiência artística à reflexão sobre história e
pensamento social. “Isso é importantíssimo porque colabora para a formação de
plateias, estimula os alunos a irem ao teatro e a pesquisar mais sobre a
linguagem artística”, destaca Ricardo César.
O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do
Distrito Federal (FAC-DF).
Serviço
Encantaria – Projeto Circulação Encantada
Data: 5 e 6 de outubro de
2026
Horário: 15h e 20h
Local: Teatro de Sobradinho
Acesso: gratuito
Classificação indicativa: 14 anos







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